domingo, 3 de abril de 2011

Domingo


Como faço para agradecer um dia perfeito?


Momentos que vão para o eterno...


A separação me dá um aperto no coração, mas são dores de amor.


Um dia, no jardim do Senhor, será assim, eternamente...


Hare Krsna, Haribol


domingo, 16 de janeiro de 2011

caminhos abertos



Hoje me veio uma brisa... um silêncio tão perfeito, sussurrando bons ares, amores, paz... paz profunda.


Ouvi sinos de alegria e no horizonte o caminho correto, a vida, radiante.


Cantar em devoção a Deus e a Rainha Universal é o princípio do milagre,


Suas obras, o grande mistério.


Oxalá, babá!


Hare Krishna!


Um ano radiante, a todos!


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Saber dar a volta



“O Silêncio é saber se humilhar

O silêncio é exercer o perdão

O silêncio é saber dar a volta

Pra viver sem se opor ao irmão”


Faz tempo que não escrevo, mas a chuva e os trovões lá fora me convidaram pra uma reflexão sobre esse ano. Muita gente costuma dizer: “nossa, o ano passou rápido”. Esse ano, pelo menos pra mim, foi lento, demorado. Aprender é agir no mundo. Lemos um livro, assistimos uma aula, escutamos os mais velhos, ou mais experientes, ou mais graduados, e isso nos trás conhecimento, mas o aprendizado de fato só ocorre no momento em que ele se torna de fato um modo de viver, quando está integrado em nossa existência, ou quando pulsa em harmonia com as batidas de nosso coração.


Passamos a vida aprendendo muitas coisas, e grande parte desses aprendizados são causa de muitos nós. É difícil desaprender, em parte por conta de teimosias, em parte porque não é fácil exercitar a mente pra pensar com outro tipo de lógica, de enxergar o mundo com outros olhos, ou de ter coragem pra experimentar outras maneiras de ser, de se comportar. Mas quem busca, pode achar, e tomar consciência não é fácil, porque na medida em que tomamos consciência e persistimos no erro, dói mais, a prova se torna mais complexa, exige uma urgência de se transformar.


Saber dar a volta pra viver sem se opor. Esse estudo se intensificou principalmente na segunda metade desse ano, e sinto que é um estudo de uma vida, pois é um estudo do ego.
Entendo que saber dar a volta é olhar diferente para aquele que se opõe. Um olhar com compaixão permite se soltar de si e se colocar em atenção ao outro. Isso permite, por exemplo, transformar um conflito em um abraço amoroso, tristeza em alegria, confusão em compreensão.


O ego da forma como é educado geralmente não entende uma lógica diferente de causa e efeito. Ele não entende que acordar com a consciência voltada à força do sol, ou que dar um bom dia caloroso para a primeira pessoa que encontrar de manhã pode conduzir todo um dia de encontros amorosos e conquistas importantes. Ou que uma palavra ríspida a um ente querido por conta de uma pequena bobagem pode desencadear um problema maior em um compromisso importante no trabalho. O ego educado somente para a materialidade vai procurar respostas em outras coisas. “Será que não estudei direito?”, “Esse sujeito não gosta de mim, o que posso fazer?”, perguntas assim, que desviam de perguntas que talvez fossem bem mais essenciais: “como tratei meus pais hoje?”, “como tratei meus filhos hoje?”, “como foi que eu cuidei de mim mesmo hoje de manhã?”.


Saber dar a volta é uma forma de entender o espírito. Aquele ser que em um instante está bravo ou que age na ignorância também é o mesmo ser que outro dia sorriu e soube falar palavras de amor, que sonha com um mundo melhor ou pelo bem estar de sua família. Saber dar a volta é saber relembrar quem você é e dessa forma aprender gestos simples e básicos que ajudem o outro a também relembrar sua essência espiritual.


Eu termino o ano com esse aprendizado por algumas razões importantes. Procurei vivenciar essa prova de forma intensa e nos méritos e tropeços nessa caminhada, pude perceber com clareza que viver uma vida mais silenciosa trás frutos e responsabilidades que reacendem a chama da plenitude.


Viver de forma amorosa atraí muito amor. As pessoas sentem no seu olhar, nas suas palavras, na sua Verdade, na sua vontade. Aquilo que se expressa saí com maior clareza, a própria mente se torna mais inteligente, pois os conflitos diminuem, dando espaço para a criação, para a arte.


É isso o que eu considero ser a manifestação daquilo que chamamos de “caminhos abertos”. Quem abre os caminhos somos nós mesmos no desenvolvimento de nossas virtudes. E quanto mais às praticamos de forma sincera e devocional, mais os caminhos se abrem, como uma flor quando bem alimentada.


Colhi alguns frutos importantes nesse fim de ano e o próximo ano estou aguardando com muita alegria e com o coração palpitando. Voltarei a trabalhar em escola dando rumo ao meu desenvolvimento nos projetos de educação. O amor atraí as pessoas certas nas horas certas. Com tantos presentes, só me resta a enorme responsabilidade de direcionar minha atenção a realizar aquilo que me é designado de forma plena, criativa, artística. Aceito o desafio sorrindo para Deus, sorrindo para o irmão, pois se há sentido nesses passos sobre a Terra, é ser querido e querer bem os meus irmãos.


Saluba Nanã,


Oxalá, Babá!


Feliz natal, feliz ano novo!


=)



terça-feira, 12 de outubro de 2010

=)



Nesse dia das crianças,


penso...


que talvez seja possível,


abrirmos mão do castigo, da dor, da humilhação como meios para educar,


e termos fé na arte, na criação,


no autoconhecimento,


e no amor incondicional,


para pelo menos experimentarmos algo...


Diferente.



segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Educação e ética



Outro dia desci do metrô Liberdade rumo a uma instituição educacional mantida pela prefeitura. Lá estou desenvolvendo projetos para crianças de 6 a 9 anos. Atravessando a rua, olhei para o prédio da instituição e vi algumas das crianças na janela. Do outro lado da rua, bem em frente da instituição, um loja Casas Bahia, já aberta as 8:30 da manhã de uma quinta feira, com suas enormes caixas de som logo na porta tocando um axé music para todo o bairro ouvir. Fiquei bravo. Fui até lá e expliquei a um dos vendedores que o som incomodava e agitava as crianças, prejudicando o trabalho dos educadores e perturbando o descanso das crianças menores na hora da "soneca". Prontamente, ele atendeu ao pedido.


O que mais me irrita na propaganda política é ver candidatos mostrando o "muito" que fazem pela educação, ou o que pretendem fazer. Mostram salas de aula bonitinhas. Aquelas mesmas, enfileiradas, com uma professora sorrindo ensinando crianças atentas e comportadas. Essa mesma utopia de algo que nunca deu certo. Políticos falam e o povo também, todo mundo "sabe" que melhorando a educação a sociedade também melhora. Mas pouca gente reflete sobre o que de fato é educar uma criança. Quando trabalhei em escola particular, pude observar como o consumo excessivo torna as crianças mais egoístas e briguentas. O foco, porém, nunca se deu sobre esses valores, já que a finalidade de uma escola como essa (embora não queira parecer assim) é um aprendizado mecânico, competitivo, voltado ao mercado de trabalho. Os pais não reclamam, pois querem ver seus filhos na universidade e posteriormente em cadeiras executivas. Já as crianças que são de famílias pobres sofrem com outros problemas. Frequentam instituições bem mais precárias, mas que visam os mesmos objetivos. Naturalmente, essas crianças não terão as mesmas chances.


Nessa instituição trabalho com crianças que sofrem muitos tipos de violência. Algumas vivem em cortiços, dividem espaço com adultos que nem sempre tratam com dignidade o momento da infância. Ali, se espera que elas possam estar em um ambiente protegido e que de alguma forma proporcione algum tipo de educação para que pelo menos elas possam entrar em contato com o que há de mais pleno na vida. Eu acredito que isso seja possível. Dá pra ver isso no brilho dos olhos daquelas crianças, quando num gesto algo desperta. O coração desperta. Uma semente, pequena que seja, mas que pode fazer uma enorme diferença.


Nesse dia, por 1 hora, tivemos pelo menos a colaboração da loja vizinha. Mas a música voltou ainda mais alta. As crianças perderam o foco, começaram a se agitar. A professora reclama: "é todo dia assim". Dessa vez, fui até a loja e pedi pra conversar com o gerente. Explico que em frente à loja uma centena de crianças está tentando ter aula. A gerente da loja que me atendeu disse que não sabia da existência dessa instituição e que iria abaixar o som, mas faz uma ressalva: "vocês precisam entender que nós temos que atender os clientes e que às vezes teremos que ligar o som". Alguém me disse que em situações assim é melhor ser político, achar um acordo em comum. Mas eu não consigo ser frio nessas questões. Eu disse num tom calmo que enquanto eles estavam tentando vender sofás, algumas pessoas ali dentro estavam tentando educar crianças em situação de vulnerabilidade social. Que esse direito não era meu, pois eu estava muito bem, obrigado, mas que deveriam pensar no direito daquelas crianças. Também informei que se caso o som continuasse a atrapalhar procuraríamos outras instâncias pra resolver o problema.


Usei esse exemplo pra mostrar um pouco que não adianta nada uma mobilização política em prol da educação sem que a própria sociedade comece a refletir sobre o que de fato é a educação e o que é preciso para uma verdadeira revolução na maneira como as novas gerações são tratadas nesse país. Nós estamos educando para que, afinal? Eu gosto muito das colocações do Krishnamurti sobre o tema porque ele toca num ponto fundamental: educamos crianças para perpetuar os mesmos conflitos e contradições de nossa sociedade ou estamos educando-as, de fato, para a vida? Acredito que, se queremos educar para a vida, devemos ser exemplo no modo como lidamos com a própria vida. Se nossos valores estão completamente embriagados pelo consumismo, pela falta de respeito com o outro, com o poder, com o autoritarismo, como é que podemos ensinar crianças a importância de refletir sobre a vida para transformar as relações entre os homens? Como é que eu posso ensinar o respeito e o amor ao coleguinha se os homens crescidos dessa sociedade não respeitam direitos básicos que toda criança deveria ter para um desenvolvimento pleno? Fica meio paradoxal, não é?


Pessoalmente, acho que uma das coisas mais belas da natureza é a expressão livre e plena da alegria de uma criança. É um atentado contra a vida desse planeta ofuscar esse brilho. Não é simplesmente tolerável que um ser humano considere mais importante uma atividade materialista e passe por cima de valores voltados a esse fim. Isso vale pra todas as instâncias de nossa sociedade, em todos os contextos e classes sociais. Tem alguma coisa de muito podre nesse axé music as 8 da manhã saindo de uma loja de móveis, em plena rua. Mas isso é só um mísero, ínfimo exemplo de como nossa sociedade ainda está muito, muito longe de uma radical transformação no que diz respeito ao que chamamos de educação ou ao como lidamos com a dignidade das crianças, ou do ser humano de um modo geral. Que me perdoem o desabafo, mas essa situação é realmente patética.




segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Deleuze e Jazz


A uns anos atrás me atrevi a ler O Anti-Édipo de Gilles Deleuze. Fiquei tentando entender, ou procurar, conceitos, teorias prontas. E aí fiquei com um monte de ?????????? na cabeça. Deixei o livro de lado.

Eu não sei o que aconteceu de um tempo pra cá, mas aprendi a ler Deleuze, assim como aprendi a gostar de Jazz. Eu sinto uma profunda relação entre a filosofia de Deleuze e Jazz. Jazz me soa como uma expressão de liberdade, um surto pela vida, afirmação de vida, potência de vida. Fico imaginando John Coltrane fumando uma cannabis e colocando toda a sua kundalini a serviço da arte, libertando almas embotadas, movimentando um tempo careta, cristalizado... isso é pura espiritualidade, cultura marginal no melhor dos sentidos.

Estou tentando realizar um deslocamento da filosofia de Deleuze pro meu trabalho de conclusão de curso sobre educação. Por que isso? Pelo simples fato de que Deleuze trás uma revolução na forma como pensamos, desmistificando ilusões, afirmando as multiplicidades da vida - e isso diz muito respeito a forma como encaramos a vida, as diferenças e repetições presentes em cada manifestação de existencia - e isso consequentemente também nos diz muito sobre o modo como nos relacionamos, aprendemos, compreendemos e educamos o ser humano.

Foucault dizia que “um dia o século será Deleuziano”. Eu entendo isso como que dizer que um dia talvez a humanidade possa se livrar das pedras que carrega a séculos e séculos - isso é, todos os dogmas, crenças, misticismos que aprisionam qualquer possibilidade de existência plena - e compreender que viver em liberdade é fazer da vida uma arte, múltipla em seus diferentes fluxos, virtuosa pela expressão dela mesma.

É incrível como vivemos em um tempo niilista mas que ao mesmo tempo é capaz de realizar essas explosões de consciência, como um suspiro pela afirmação do que nos é mais sagrado - nossa própria vida. Amor, amor puro por tudo o que vive e que da sua forma peculiar quer se expressar com aquilo que tem de mais luminoso.

"Cogito para um eu dissolvido" - Gilles Deleuze


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Romaria


Tive a graça de poder fazer a romaria até Aparecida este ano, novamente...

Valorosos os ensinamentos que o caminho pode trazer.

Separar o joio do trigo, preparar o pão com Mestria, com carinho e com Amor. Jesus ao levantar esse pão oferecendo-o à Deus e depois compartilhando com seus discípulos é o ensinamento mais essencial para a nossa condição humana.

Se não soubermos partilhar, abrimos portas para o sentimentos de posse, apego excessivo, egoísmo.

A partilha é o caminho da paz, da harmonia, da fraternidade.

É analisando nossa própria consciência que percebemos o quanto esse Mistério é profundo.

E a chave está nas águas de Mamãe Oxum, fazendo correr as águas de nossas emoções até o ponto em que aprendemos a derramar lágrimas novamente para podermos enxergar o quanto o Amor é o segredo profundo da Verdade Universal.

"Flor das águas
da onde vens para onde vais
Vou fazer a minha limpeza
no coração está meu pai

A morada do meu pai
É no coração do mundo
Aonde existe todo Amor
e tem um segredo profundo

Este segredo profundo
está em toda humanidade
Se todos se conhecerem
Aqui dentro da Verdade"